A luz já se tornava fraca no
bosque, os animais se retiravam para um abrigo. A brisa da noite vinha serena,
sem pressa. Oryulth vagava, seus cabelos escuros estavam tapavam sua face sem
expressão, estava triste, inconsolado e, acima de tudo, solitário.
- Por quê? – ele perguntava – Por que os deixei morrer?
Maldito seja o rei Molthar.
Sangue saía de suas feridas, causadas pelos mesmos
guardas que mataram seus companheiros, Oryulth teve a sorte de conseguir
escapar. Ele e seus aliados foram enviados para as terras do leste, sem nenhuma
explicação do que teriam que fazer. Agora estava sozinho, dirigindo-se para o
povoado de Olkest.
- Terei que me apressar, o vilarejo de Olkest é o único
local seguro da região e está à uma hora de caminhada.
Mal terminou de murmurar, escutou o som de passos e
vozes, havia alguém ali. Devagar, caminhou até o local de onde vinham os sons e
afastou discretamente as folhas que atrapalhavam sua visão. Mal acreditava no
que via, eram homens blindados, usando as melhores armas que tinha visto na
vida. Num instinto, começou a correr feito um louco, o que chamou a atenção dos
homens.
- Ouvi alguém! – berrou um.
- Também vamos atrás dele!
- Acho que o som veio de lá, vamos!
O aventureiro só virou a face para trás, viu uma grande
carruagem com placas de metal vindo em sua direção, besteiros no topo dela
miravam no pobre viajante. Oryulth apenas sentiu algo atingindo sua nuca, o
jovem caiu inconsciente.
A luz do astro rei chegava aos olhos do viajante, ele foi
capturado e havia passado a noite inteira na carruagem, seu corpo doía, estava
confuso, ouvia vozes estranhas e risos graves.
Um homem alto e musculoso entrou na pequena cela onde se
encontrava.
- Chegamos. – disse ele.
- Onde? – perguntou o jovem.
- Na metrópole de Olkest.
- Metrópole? – Nesse momento, passou pela mente de
Oryulth: será que ele havia sido enganado? Por que haviam dito que Olkest era
apenas um vilarejo?
- Já recebeu informações demais para escravo, dirija-se
para a porta sem mais uma única palavra.
Escravo: aquela palavra assustou Oryulth, ele havia sido
raptado por traficantes de escravos.
O aventureiro levantou-se, enquanto eram colocados
grilhões nele. Ele foi empurrado até uma praça, onde estavam homens
aprisionados, sendo levados por nobres. Ele foi colocado num grupo de jovens,
com mais ou menos a mesma idade que ele, todos do sexo masculino.
- Para onde vamos ser levados? – perguntou para um dos
jovens.
- Depende, alguns são encaminhados para minerar, os com
mais sorte vão para plantações de abóbora, mas todos teremos um destino cruel.
- Calem a boca! – gritou um dos guardas, enquanto
chicoteava os dois.
- Tragam o magricelo de cabelos negros! – gritou o
vendedor de escravos.
Oryulth foi encaminhado para um pequeno palquinho. O
vendedor começou a falar:
- Ele pode parecer inútil e sem músculos, mas é
extremamente valente, foi encontrado se aventurando na floresta, pode ser capaz
de muita coisa.
As pessoas que ali estavam sussurrava umas com as outras,
nenhuma parecia demonstrar interesse no jovem, até que surgiu um velho com
barba e cabelos longos, estava andando encurvado, se apoiando numa bengala
velha e desgastada.
- Eu pretendo levar este jovem! – disse o velho.
- Está bem, quanto oferece por ele? – perguntou o
vendedor.
- Duzentas moedas de ouro e quatro diamantes.
Todos se assustaram com o pagamento do ancião.
- Alguém oferece algo maior?
Ninguém respondeu.
O vendedor contou até três e declarou que o escravo
estava vendido. O velho levou o jovem consigo. Os dois saíram da praça e foram
até um chalé isolado, afastado do resto da cidade. O ancião abriu a porta.
- Meu jovem, não te assustes com o que verás.
Os dois entraram na pequena casa de madeira, seu interior
era gigante, muito maior do que o que parecia de fora. Havia muitos livros e
pergaminhos, mapas do céu estava pendurados nas paredes e frascos continham
líquidos estranhos. A bengala do ancião se transformou num cajado com uma
grande gema em seu topo e sua roupa esfarrapada transformou-se um fantástico
manto.
- Sou Omnar, poderoso mago e astrólogo, viajante
dimensional e profeta. Trouxe você até aqui por algo que já existe desde a
aurora dos tempos, as estrelas já diziam as palavras que pronunciarei.
A respiração de Oryulth se tornou ofegante, seu coração
batia freneticamente.
- Todas terras orientais dependem de
você!